Israel suspende temporariamente relações com países que aprovaram resolução da ONU

26/12/2016

 

 

Benjamin Netanyahu pôs em andamento uma ofensiva de represálias diplomáticas sem precedentes em resposta ao revés sofrido por Israel na sexta-feira no Conselho de Segurança da ONU. O primeiro-ministro ordenou a seus ministros que durante as próximas quatro semanas e até a posse de Donald Trump, como presidente dos Estados Unidos, se abstenham de viajar a 12 países que votaram em favor da resolução de condenação dos assentamentos judaicos. Também proibiu de se reunirem com representantes de seus respectivos Governos, segundo confirmou um porta-voz diplomático israelense. Os países listados por Israel são Rússia, França, Espanha, Reino Unido, China, Japão, Egito, Uruguai, Angola, Ucrânia, Senegal e Nova Zelândia.

 

A resolução 2334, que declara ilegais as colônias em territórios palestinos ocupados, por violarem o direito internacional, recebeu todos os votos a favor –entre os quais o da Espanha, que presidia a sessão–, exceto o dos Estados Unidos, que se eximiu de exercer seu direito de veto e se absteve, abrindo caminho para a aprovação. Depois de ter congelado as relações com a Nova Zelândia e o Senegal por terem promovido a votação e de retirar financiamento a cinco órgãos “hostis” da ONU, o Ministério de Relações Exteriores israelense convocou no dia de Natal os embaixadores dos Estados que respaldaram a resolução para lhes expressar um protesto formal.

 

Na ausência do representante da Espanha, Fernando Carderera, o encarregado de negócios em Tel Aviv, Miguel Moro, titular da segunda chefatura da legação, foi convocado na sede do ministério em Jerusalém diante de um diplomata israelense de alto escalão, que lhe expressou a queixa de Israel pelo voto nas Nações Unidas, segundo informaram fontes diplomáticas. O embaixador dos EUA, Dan Saphiro, também foi chamado pelo Governo, embora tenha sido recebido pessoalmente pelo primeiro-ministro.

 

"Aqueles que estiverem contra nós serão derrotados porque pagarão um preço diplomático e econômico por suas ações contra Israel”. Invocando o espírito de Judas Macabeu, Netanyahu havia lançado esta advertência na noite da véspera de Natal através da televisão ao acender a primeira vela do candelabro do Hanucá (a Festa das Luzes), que comemora um levante dos judeus em armas no século II a.C.

 

O primeiro-ministro israelense declarou no dia de Natal, no início da sessão semanal do Conselho de Ministros, que a votação na ONU tinha sido “tendenciosa e hostil”, e afirmou que não tinha nenhuma dúvida de que a Administração do presidente Barack Obama estava por trás da proposta, com um texto que garantisse que Washington não o vetaria. “Como eu disse (ao secretário de Estado) John Kerry, os amigos nos submetem a seus amigos perante o Conselho de Segurança”, declarou o primeiro-ministro na reunião do Gabinete.

 

Foram convocados os embaixadores da Rússia, China, França, Espanha, Reino Unido, Japão, Ucrânia, Egito, Angola e Uruguai. Malásia e Venezuela, que também promoveram a resolução, não mantêm relações com Israel. A convocação no dia de Natal é algo incomum. “Que teriam dito se algum de nós tivesse convocado o embaixador de Israel no Yom Kipur (dia do arrependimento, no qual a atividade é paralisada no Estado judaico)?”, disse um diplomata ocidental ao diário Haaretz.

 

O ministro da Defesa, o ultradireitista Avigdor Liebermann, ordenou também a suspensão dos contatos políticos das Forças Armadas com a Autoridade Palestina depois da aprovação da resolução da ONU. A medida, que não afeta a cooperação bilateral em matéria de segurança, tem escassos efeitos práticos, já que o Exército não mantém laços políticos com os governantes palestinos e se limita a administrar desde 1967, por meio de seu Escritório de Assuntos Civis, os trâmites que afetam a população no território da Cisjordânia, ocupada por Israel. O texto ratificado pelo órgão das Nações Unidas declara que as colônias carecem de “validade legal” por violarem o direito internacional e reflete o isolamento externo decorrente da orientação do Executivo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, considerado o mais direitista na história do Estado judaico. Embora não tenha caráter coercitivo, o texto adotado nas Nações Unidas pode ter consequências legais para Israel se os dirigentes palestinos o invocarem perante o Tribunal Penal Internacional.

 

Fonte: El País

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